Leitura e Reflexão

Você tem ajudado a criançada a desenvolver suas habilidades emocionais?
Por: 03 de Setembro de 2018 em: Leitura e Reflexão

Algumas correntes de pensadores defendem que, além das competências cognitivas, relacionadas aos aprendizados formais da escola, como ler, escrever, fazer contas, o indivíduo precisa ter garantidas as oportunidades de desenvolvimento das competências sociais (ou não cognitivas) para que alcance mais sucesso em todos os níveis de sua vida. Pinçamos da matéria alguns tópicos dessa habilidades para que você possa ajudar as crianças sob os seus cuidados e, também, orientar os pais a respeito.

Autoconfiança: ressaltar as qualidades da criança e mostrar que você acredita na capacidade dela é a chave para que ela faça o mesmo. Na hora de repreendê-la, por exemplo, foque apenas no comportamento ruim. Nada de rotulá-la. Dizer que naquele momento ela está tendo uma atitude de teimosia é diferente de dizer que ela é teimosa, o que pode levá-la a ser mais teimosa ainda, já que passará a acreditar que ela é assim e ponto. Elogios em excesso também não são aconselháveis, porque podem despertar a arrogância ou tornar a pessoa despreparada para ouvir críticas. Para ajudar a construção da autoconfiança, a criança precisa saber que conta com o adulto para realizar tarefas cotidianas, mas ela tem de ter autonomia para fazer essas atividades sozinha e a sua maneira.

Coragem: medo é um sentimento natural. Mas, é preciso aprender a enfrentá-lo, seja ele qual for (do escuro ou de uma prova na escola). É importante que a criança tenha espaço para falar de seus medos e consiga entender o que está sentindo. Use livros e filmes que abordem o tema. É importante fortalecer a coragem para que a criança – e depois o adulto – possa vivenciar desafios e perseguir objetivos.

Paciência: crianças são impacientes. Isso é fato. Por isso, desde pequenas, é preciso que aprendam a ter paciência, saber que não é possível controlar tudo e que esperar faz parte da vida. Uma boa dica é ressaltar a paciência durante brincadeiras e jogos ou na contação de histórias, onde cada um precisa esperar a sua vez, tanto para brincar como para falar e ser ouvido.

Persistência: nas várias etapas do desenvolvimento infantil, a criança precisa ser persistente para superar uma nova etapa (engatinhar, andar, subir, descer). Por isso, é importante estimulá-la a encarar os desafios e vencê-los. Muitos adultos têm a tendência de querer fazer pela criança, o que é um erro. Na verdade, ela precisa de estímulos para entender que se não conseguiu na primeira ou segunda vez, tem de tentar mais, até conseguir.

Tolerância: a convivência com outras crianças traz à tona as diferenças de realidades e comportamentos. É importante que a criança aprenda e aceite a diversidade. Se isso for trabalhado desde cedo, a convivência será natural e tranquila. Por isso é importante criar oportunidades de interações com jogos coletivos, por exemplo, para que a criança comece a conhecer tanto as regras quanto as necessidades dos outros. O exemplo dos adultos é outro estímulo para que a criança acolha as diferenças, inclusive preparando-a para respeitar idosos e pessoas mais novas.

Autoconhecimento: as questões existenciais (quem sou eu, do que gosto e assim por diante) surgem na criança por volta dos três anos. É quando também vai expressar suas vontades, expondo razões concretas. É dessa maneira que a criança irá se apropriando de si mesma, que terá mais subsídios para estabelecer relações, agindo com mais segurança. Nessa fase, é importante estimulá-la a perceber quais são suas preferências, oferecendo opções para que ela escolha e explique o porquê dessa escolha.

Controle dos impulsos: esperar para ter o que quer. Essa atitude nem sempre é fácil de ensinar à criança que, muitas vezes, por exemplo, teima em comer o doce antes da refeição. Mas, é importante que ela consiga ir se apropriando de uma postura mais controlada para estar preparada ao futuro, em que esse controle será exigido em várias situações, sociais e profissionais.

Resiliência: ouvir ‘nãos’ é complicado para qualquer um. Para a criança, então, é mais difícil ainda. Mas, ela precisa se acostumar com essa palavrinha que, a muitos adultos, custa a sair, porque sentem pena e preferem dizer ‘sim’. Uma conduta que precisa ser evitada. As pequenas frustrações é que vão preparar a criança para lidar com adversidades da vida e servirão como fonte de crescimento e aprendizado.

Comunicação: travar conversas com a criança para saber de seu cotidiano é um ótimo estímulo à comunicação, quando aprenderá a organizar pensamentos, transformando-os na expressão oral. Ler livros com a criança e pedir que reconte histórias também é uma boa estratégia. E os estímulos devem começar quando ainda é bebê, já que ele se manifesta por gestos. Estimulá-lo a verbalizar o que sente é superimportante.

Empatia: até por volta dos dois anos, a criança só consegue ver as coisas a partir da sua perspectiva. Depois, ela passa a conseguir se colocar no lugar do outro, exercitando a empatia. Mas, a criança só vai entender o outro se souber reconhecer, nomear e expressar as próprias emoções. Em uma situação de conflito, vale questioná-la sobre os motivos que a levaram a agir de determinada forma, como se sentiu e como imagina que a outra pessoa envolvida está se sentindo com a situação.

Com estas dicas, fica mais fácil ajudar os pequenos a se prepararem melhor para a vida.

Fundação Maria Cecília Souto Vidigal