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Greve dos caminhoneiros
Por: 31 de Maio de 2018 em: Notícias

Marina Soares

Quarta-feira, 30/05/2018, última turma a frequentar o Centro de Desenvolvimento Psicomotor (CDP) quando de repente escuta-se uma confusão e uma tentativa de organização por parte das crianças em uma brincadeira. A atividade do dia consistia em entregar uma pista de emborrachado representando uma pequena cidade e carrinhos de brinquedo para que brincassem livremente durante a atividade. Em determinado momento as crianças começam a discutir algo com relação a “fazer filas” e “não tem gasolina” ou “eu cheguei primeiro para abastecer”. Nesse momento, a professora vai até eles e pergunta o que está acontecendo na cidade e, eles logo respondem: “Está faltando gasolina e estamos na fila para abastecer”. Mas, uns queriam ser os primeiros da fila e outros não aceitavam a situação, assim, a professora interveio ajudando-os a organizar a fila para “abastecerem”.

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Nesse faz de conta criado pela meninada, tornou-se possível identificar que eles se apropriaram de uma realidade experenciada pela sociedade brasileira atual e que tem mexido com todos no país. Muitas dessas crianças presenciaram nas ruas as cenas dos postos sem gasolina e das filas de carros para abastecerem, outras até participaram dessas filas. Então, elas trouxeram as experiências por elas vividas no meio ao qual estão inseridas e as apropriaram para um momento de brincadeira através do faz de conta.

Para Barbosa e Volpini citando Cunha (2007, p. 23): “Neste tipo de brincadeira a criança traduz o mundo dos adultos para a dimensão de suas possibilidades e necessidades, as crianças precisam vivenciar suas ideias em nível simbólico, para poderem compreender seu significado na vida real.”. Quando as crianças, no jogo simbólico, estão fazendo representações de papéis, como, por exemplo, no caso acima citado imitando a população brasileira indo para as filas abastecerem seus automóveis, elas estão fazendo observações e isso contribui para a construção de sua vida social.

Barbosa e Volpine ainda seguem citando Gilles Brougère (2001) que também apresenta um estudo acerca do faz de conta:

“[...] A criança está inserida, desde o seu nascimento, num contexto social e seus comportamentos estão impregnados por essa imersão inevitável. Não existe na criança uma brincadeira natural. A brincadeira é um processo de relações interindividuais, portanto de cultura. É preciso partir dos elementos que ela vai encontrar em seu ambiente imediato, em parte estruturado por seu meio, para se adaptar às suas capacidades. A brincadeira pressupõe uma aprendizagem social.” (BROUGÈRE, 2001, p. 97 apud BARBOSA; VOLPINI, 2015, p. 3-4).

Dessa forma, a brincadeira do faz de conta passa para a criança representações do meio social em que está inserida e, assim, permite a ela imitare as pessoas e transformar objetos e situações em outros.

Com a greve dos caminhoneiros em alta e a falta de combustíveis nos postos será que as crianças do 2º Período conseguiram abastecer seus carros?

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BARBOZA, Letícia; VOLPINI, Maria Neli. O faz de conta: simbólico, representativo ou imaginário. Cadernos da Educação: Ensino e Sociedade, Bebedouro (SP), v. 2, n. 1, 2015. Disponível em: < http://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/35/06042015200208.pdf>. Acesso em: 31 maio 2018.